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NUTRIÇÃO
No compasso da vida moderna
Cenas comuns, hoje, no Brasil: na entrada do restaurante de uma fábrica de peças para
automóveis estão afixados dois menus – um baixo em gorduras e açúcares para quem
está em dieta; outro com mais calorias e mesmo assim devidamente balanceado em
carboidratos, proteínas e gorduras. Em uma academia de São Paulo, os clientes
marcam horário para obter orientações sobre uma alimentação saudável e, ao mesmo
tempo, que os ajude a emagrecer. Nos dois casos, o personagem principal das histórias
é o nutricionista, profissional da área de saúde que se encarrega de ajustar hábitos
alimentares às necessidades específicas individuais ou de determinados grupos.
Como aumenta a consciência da importância dos cuidados com a alimentação, os
nutricionistas ampliam seu mercado de trabalho. Até mesmo os hospitais –
tradicionais campos de atuação – têm aumentado a incorporação desse profissional a
seus quadros de funcionários. “A nutrição tem interface com muitas áreas e a cada dia
se descobre uma novidade”, conta a presidente da Associação Mineira de Nutrição,
Jussara Passos. “Há dez anos, por exemplo, ninguém relacionava essa ciência ao
esporte.” Hoje, essa é uma das áreas mais procuradas pelos recém-formados, que
precisam ter aptidão para bioquímica e fisiologia se quiserem se dar bem nesse setor.
As atividades do nutricionista são exercidas também por formados em biologia e
medicina com especialização em nutrologia. Mas, mesmo bastante concorrido, o
mercado de Nutrição é amplo e vem incorporando aspectos da vida moderna aos
desafios profissionais. Em Alagoas, por exemplo, 16,29% das crianças são subnutridas.
Porém, a obesidade infantil cresce a uma velocidade assustadora. Acrescente-se a isso
o aumento de doenças cujas causas podem estar relacionadas a fatores dietéticos.
Evitar doenças provocadas pela desnutrição e hábitos alimentares incorretos está,
portanto, na pauta dos nutricionistas.
Por causa de fregueses mais exigentes, empresas de alimentação têm usado o
nutricionista para coordenar pesquisas de produtos e testar receitas, promover
degustações e avaliação sensorial. “Essa é a atuação em marketing, uma das mais
promissoras”, diz a presidente da Associação Brasileira de Nutrição (ABN), Albaneide
Peixinho. Outras tarefas que podem ser desempenhadas em indústrias alimentícias
envolvem a supervisão e a gerência do processo de produção de alimentos como
comprar e armazenar a matéria-prima ou produtos acabados, além da observação
rigorosa dos procedimentos higiênicos.
A área da nutrição clínica também está crescendo bastante, segundo Albaneide. O
trabalho é feito em conjunto com médicos–em geral pediatras ou endocrinologistas–
que encaminham pacientes ao nutricionista. Sua incumbência é prescrever dietas,
adaptando a alimentação a cada tratamento. O nutricionista tem capacitação para
participar de programas de saúde pública – seja orientando a população sobre a
melhor maneira de aproveitar os alimentos, ou em programas de merenda escolar,
alimentação em creches etc.
A Associação Brasileira de Nutrição e o Ministério da Saúde estão elaborando, desde
1997, um projeto para a avaliação da formação dos nutricionistas. O curso inclui
disciplinas básicas – bioquímica, biologia, patologia – e profissionalizantes – de
bramatologia e tecnologia de alimentos até nutrição clínica, social passando por
técnicas de higiene.
As aulas práticas acontecem não apenas em laboratórios, mas também em cozinhas
experimentais.
Duração média do curso: quatro anos
Fonte: Aprendiz
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